domingo, 15 de julho de 2012

Testemunho de Rizzieri Lavander em 01/06/1982, sobre o início da Congregação Cristã no Brasil.

Testemunho de Rizzieri Lavander em 01/06/1982, sobre o início da Congregação Cristã no Brasil

1. Meus pais foram batizados em 13 de maio de 1913.

[Dia 13 de maio era feriado no Brasil em comemoração à libertação dos escravos.]

2. Minha mãe era uma mulher sofredora. Ela tinha um câncer na sua garganta, condenada à morte, podia passar só a leite. Disse o médico: "O dia que fechar mais um pouco, a senhora morre sufocada."

3. Meu pai era um sanfoneiro que gostava de música, era músico de banda e sanfoneiro. Vivia sempre em bailes e festas. O que ganhava, gastava tudo, um homem perdido na praça.

4. Deus teve misericórdia e chamou os dois. No dia do batismo minha mãe deixou aquela enfermidade na água.

5. Meu pai deixou o vicio de fumar. Além de fumar, ele mascava e tomava rapé. No dia do batismo ele foi com o bolso cheio de charutos e não fumou nenhum, jogou tudo fora porque era tudo amargo. Deus colocou um enjôo nele. Ele blasfemava muito o nome de Deus, mas depois do batismo Deus lhe deu a promessa do Espírito Santo.

6. Minha mãe estava numa pequena congregação e ali o Senhor também a batizou com a promessa do Espírito Santo, pela graça de Deus.

7. Houve outro batismo em 14 de julho de 1913 e eu fui batizado, tinha doze anos e quatro meses.

8. Pela graça de Deus, Ele me tem ajudado em todos esses anos, Ele me tem dado a graça de poder servi-Lo.

9. Em 1936 o Senhor me colocou como encarregado da reunião para jovens e menores

[Naquele tempo não se chamava cooperador, mas sim encarregado].

10. A primeira reunião para jovens e menores que houve no Brasil ocorreu no bairro do Bom Retiro, no dia 18 de outubro de 1936 e o Senhor abençoou.

11. Depois teve a necessidade do ministério de anciães e Deus me colocou neste ministério.

12. Em 1942 o Senhor me preparou uma viagem para o estado da Bahia. Desde este dia não parei mais de viajar. Houve ano de fazer 3 viagens para o nordeste do país e Deus foi comigo. Deus me tem ajudado até este dia.

13. Quando o Senhor me mandou para o nordeste, eu não era patrão, era empregado. Também não olhei a família. Minha esposa chorava e eu disse: "O Senhor que vai cuidar de mim, vai cuidar de você e dos nossos filhos." Pela graça de Deus, o Senhor nos ajudou.

14. Dou graças a Deus que passei todos esses anos na casa de Deus. Quando meus patrões onde eu trabalhava intentaram me impedir de trabalhar na Obra de Deus, eu pedi demissão.

15. Eu tinha trabalhado quase 30 anos naquele trabalho e os patrões me perguntaram: "O senhor vai embora, mesmo?"

16. Eu respondi: "Claro, os senhores querem me impedir de servir a Deus."

17. Ele perguntaram novamente: "Como você vai fazer, saindo?"

18. Eu disse para eles: "Patrões eu tenho muitos, saindo daqui tenho outros patrões, mas Deus eu tenho um só, eu preciso obedecer a Deus."

19. Pela graça de Deus, o Senhor preparou uma maleta para eu trabalhar por conta. Nunca faltou o pão material para minha família e nem para mim, o Senhor nos abençoou.

20. O Senhor foi sempre comigo, o Senhor sempre me guardou e protegeu. Hoje para viajar, leva-se um companheiro. Mas eu viajava sozinho para o sertão da Bahia, o sertão de Minas Gerais. O Senhor foi comigo.

21. Quando o Senhor chamou a minha família, a Obra de Deus era pequenina.

22. A Obra de Deus iniciou no ano de 1910. O Senhor começou a operar no bairro do Bom Retiro, onde era minha comum congregação. O local do culto era no fundo de um cortiço. A nossa congregação era uma cozinha. De dia a irmã cozinhava e de noite nós congregávamos. Era um cômodo de 3 X 4 metros. Nossa bancada era uma tábua de andaime com três latas de querosene encima para sentar.

23. Em 1913 nós éramos um grupo pequeno e houve uma divisão. Esta divisão ocorreu porque o primeiro ancião queria receber dinheiro. Na Obra de Deus não tem nada de dinheiro, precisa ter boa vontade de servir a Deus.

24. Depois da divisão, o irmão Francescon colocou tudo de acordo outra vez.

25. Houve um irmão que disse que o Senhor viria buscar sua igreja e mandou todos se prepararem. Eu era menino novo. Todos se prepararam para ir com o Senhor. Todos vestiram terno novo, vestido novo, sapato novo, porque diziam: "Agora nós vamos para o céu."

26. Na hora do almoço um irmã disse: "Fiquem quietas, meninas, fiquem quietinhas, pois logo vamos comer com Jesus."

27. Este irmão fez isto duas vezes, depois o Senhor o tirou do nosso meio. Ele foi para uma igreja evangélica onde ganhava salário para pregar.

28. O Senhor foi aquele que nos levou avante, começou a prosperar e chamou outros irmãos.

29. Começou a Obra de Deus no bairro da Lapa. Na Lapa tinha um irmão chamado Italiano Piro que tinha o dom de evangelizar. Ele parava para conversar com uma pessoa na rua, dava o testemunho e o Senhor chamava aquela alma para esta graça.

30. A Obra de Deus começou simultaneamente no bairro da Terceira Parada. Neste bairro o irmão Italiano Piro deu o testemunho para uma prima dele.

31. Sua prima creu no Senhor. Ela tinha dois filhos, mas o marido e os filhos não creram. Na sua casa tinha uma sala muito boa e ela ofereceu para fazer o culto ali.

32. Numa noite de carnaval, os filhos desta prima puseram uma máscara na cara de um cachorro, amarraram umas latas na calda do cachorro e tocaram o cachorro para dentro da sala de oração no momento da oração. Ninguém se incomodou e o Senhor visitou todos irmãos.

33. A família tinha uma cocheira no fundo do quintal da casa onde eles moravam, pois eram carroceiros. Mais tarde eles pegaram uma pá de estrume de cavalo e quando nós estávamos em oração, jogaram nas cabeças das irmãs. Ninguém se incomodou, mas Deus tomou conta.

34. Naquela mesma noite, eles se divertiram, riram por causa do que fizeram. Um dos filhos foi para o banheiro e quando ele fechou a porta, uma mão invisível o pegou pelos cabelos e levantou três vezes do chão.

35. Quando ele sentiu aquela mão, ele deu um grito: "Mãe, mãe, mãe..." Correram todos lá e perguntaram o que aconteceu. Ele disse: "Uma mão me pegou pelos cabelos e me levantou três vezes do chão."

36. Ela disse para ele: "Meu filho, você brinca com a Obra de Deus e Deus não quer que se faça isto." De madrugada aquele moço morreu.

37. Passado uns dias, o outro filho subiu numa goiabeira que tinha no quintal para apanhar goiaba. Tinha um galho que foi cortado e ficou com uma ponta. Como a goiabeira era muito escorregadia, ele subiu, mas deslizou, caiu de barriga encima daquele galho e morreu na hora.

38. O Senhor fez isto e caiu muito temor em todos nós. O pai dos moços disse para a esposa: "Eu não quero mais esta gente aqui, você mudou de religião e veja o que aconteceu. Nós perdemos os dois filhos. Como eu também não sou crente, é capaz que eu vou morrer também. Fale para teu primo que nós não queremos mais esta religião aqui." Os irmãos saíram daquele lugar.

39. O avô do irmão Luciano Carbone, tinha uma perna de pau e trabalhava com tintas, morava no bairro São José dos Tenentes. Ele disse: "Vocês não querem a Obra de Deus na vossa casa, eu levo para a minha casa." Mas sua família não aceitou.

40. Os irmãos foram para a casa do pai do irmão Luciano, na Rua da Cachoeira. Lá também houve perseguição, pois também não queriam a Obra de Deus naquele lugar.

41. O irmão José Oliva, que era cobrador de bonde, falou para os irmãos: "Se vocês não querem a Obra de Deus na vossa casa, eu levo para minha casa." Sua casa tinha dois quartos pequenos. Quando havia culto, ele colocava todos os móveis para fora e deixava a irmandade dentro da sala.

42. Nesse tempo aconteceu um caso na estação de bonde. O diretor era um italiano e tinha tido tuberculose. Ele foi para a Itália para se curar e depois de muito tempo voltou para o Brasil. Quando ele já estava trabalhando, começou a soltar golfadas de sangue e a doença voltou.

43. Um dia de manhã o irmão José Oliva entrou no trabalho às 4:00 horas, porém seu horário normal era 5:00 horas. Ele encontrou o chefe chorando e encima da escrivaninha estava um revólver.

44. O irmão José Oliva perguntou para o chefe: "O que acontece, chefe?" O chefe disse: "Eu tinha tuberculose, fui á Europa, fiquei três meses, me tratei, me curei, mas a doença voltou e eu não quero mais sofrer com esta doença. Eu comprei este revólver para assassinar primeiro minha esposa, porque ela é bonita e não quero deixá-la para ninguém e depois me suicido." Ele chorava porque tinha dó de matar a esposa.

45. O irmão José Oliva disse: "O senhor não sabe que existe Jesus Cristo? Se você crer em Jesus Cristo, Ele cura a tua enfermidade, te dá saúde e você vai ganhar a vida eterna com Jesus Cristo."

46. Ele escutou bem a conversa e perguntou: "Onde é?" O irmão respondeu: "Na minha casa, próxima à estação."

47. De noite ele foi ouvir a Palavra. O Senhor abriu o seu coração e ele falou para a esposa: "Achei o caminho apostólico onde o Senhor vai me dar a vida eterna e vai me curar." Ele foi batizado e o Senhor o curou completamente.

48. Sua esposa lhe disse: "Leva eu também." Quando ela foi, ela também creu no Senhor.

49. Pela graça de Deus a Obra de Deus começou a pegar um impulso. Este irmão ganhava bem na Light, pois era superintendente do tráfego. Ele alugou uma casa com 4 cômodos. Dois cômodos foi para ele morar. Ele pediu licença para o proprietário, tiraram a parede dos outros dois cômodos e fizeram um salão.

50. O Senhor começou a chamar almas. Nesse tempo veio o irmão Luiz Teranhol nos ensinar a cantar os hinos, porque nós não tínhamos franqueza para cantar. Depois ele foi embora.

51. Nesse tempo o irmão Francescon estava conosco. Foi um milagre, esse irmão tinha que vir para o Brasil num tempo de guerra. Ele veio de graça e voltou de graça, tudo preparado por Deus.

52. Nós recebemos os ensinamentos para cantar os nossos hinos. Nesse tempo alguns evangélicos se infiltraram no nosso meio para nos ensinar a cantar os hinos. Depois de nos ensinar a cantar os hinos, começaram a ler a Palavra e desvirtuaram os testemunhos que nós tínhamos.

53. Por este motivo, Deus mandou o irmão Luiz Teranhol para nos ensinar a cantar, para não dar liberdade destes virem para nosso meio.

54. Um irmão disse: "Se quiser ir para minha casa, eu tenho um porão muito alto e grande, cabe bem a irmandade e ainda sobra lugar. É na Lapa de Baixo."

55. Então fomos para lá e foi realizado o primeiro culto. A família Mazei morava de frente, vieram ouvir a Palavra. Os irmãos deram o testemunho para o Francisco Mazei, o filho mais velho. Após o culto ele disse: "Eu tenho o meu pai no Juquiri, está louco, furioso. Os médicos o desenganaram e disseram que ele não tem mais cura. Vocês oram a Deus. Se Deus fizer a obra no meu pai e libertá-lo da loucura, eu e minha família batizamos nessa igreja."

[Hospital do Juquiri era um hospital para tratamento de loucura.]

56. O Senhor nos deu a graça de orar por ele e pelo seu pai. No outro dia às 11:00 horas, lá no Hospital do Juquiri, o pai do nosso irmão estava completamente liberto da loucura. A família creu e os vizinhos também.

57. Este homem que foi liberto tinha uma casa e uma horta boa em volta da casa. Ele fez um salão de 16 metros por 5 ou 6 metros de largura. Os irmãos fizeram bancos improvisados. Ali se fez uma igreja que durou bem uns 10 anos naquele lugar e encheu também.

58. No bairro do Bom Retiro um irmão ofereceu a varanda da casa dele, que estava desocupada, para culto. Pela graça de Deus foi bem.

59. Depois a Obra de Deus começou na Vila Prudente. Quando evangelizou aquele bairro, ali tinha muitos anarquistas. Numa noite pararam o bonde onde estavam nossos irmãos. Tiraram nossos irmãos com força e violência, e os surraram para matar.

60. Tem uma irmã que ainda está viva e é cunhada do irmão Miguel Spina. Ela era uma mocinha com 15 anos. Deram um pontapé na barriga dela e a jogaram longe.

[Observar que este testemunho foi contado em 1982.]

61. Naquela perseguição bateram nos anciões e os feriram, o irmão Jeremias de Seta e o irmão Felipe Pavani, primeiro ancião.

62. Os irmãos ficaram impedidos de ir lá, não puderam mais ir à Vila Prudente. A policia, depois que tomou conhecimento do caso, prendeu todos aqueles que fizeram estas desordens. Os mandatários ameaçaram os irmãos: "Se vocês não tirarem nós daqui, pois por causa de vocês nós estamos na gaiola, quando nós sairmos daqui, nós matamos vocês."

63. Um daqueles homens era gerente de uma fábrica de chapéu. Outro era o padre do lugar, chamado Ponfiro. E havia outros homens. Nós não pudemos ir mais à Vila Prudente nesse tempo.

64. A guerra estava no fim, era 1914. Fecharam-se diversas fábricas no país.

65. Tinha uma fiação chamada Fiação Bom Retiro e nesta fiação trabalhava muitos irmãos. Como a fiação estava fechada, o senhor Pereira Inácio, de Votorantim, levou a fiação para lá. Ele disse: "Todo pessoal que trabalhava aqui, se quiserem ir para Votorantin, eu dou trabalho para todos vocês."

[Em 1914, Votorantim era distrito da cidade de Sorocaba. A cidade de Votorantim foi emancipada em 1963.]

66. Naquele tempo não se encontrava serviço nenhum. Os engenheiros estavam ganhando um tostão por dia para lavar garrafa de cerveja. Estava uma crise muito grande e o Senhor fez a sua Obra.

67. Quando foram para Sorocaba e começaram a trabalhar, Pereira Inácio colocou um mestre da fiação dele como diretor geral, que se chamava José Tomaz da Costa. Os irmãos deram o testemunho da graça e ele creu no Senhor. Ele foi batizado e o Senhor o selou com a Promessa do Espírito Santo.

[O irmão José Tomaz da Costa foi o primeiro ancião de Votorantim.]

68. O Senhor se usou dele e ele deu testemunho para um amigo dele, o irmão Fernando Afonso.
[O irmão Fernando Afonso foi o primeiro ancião de Sorocaba.]

69. Pela graça de Deus, a Obra de Deus começou a ir para o interior do estado. Ela foi para a cidade de Torrinha. Na Revolução do Isidoro os revoltosos pararam na cidade de Torrinha.

[A Revolta Paulista de 1924, também chamada de "Revolução Esquecida", "Revolução do Isidoro", "Revolução de 1924" e de "Segundo 5 de julho", foi a segunda revolta tenentista. Foi o maior conflito bélico já ocorrido na Cidade de São Paulo. Revolta comandada pelo general reformado Isidoro Dias Lopes.]

70. O irmão Antônio Porto pegou aquele trem junto com os soldados. O Senhor se usou dele e ele testemunhou toda a região noroeste.

[O termo noroeste era para identificar uma região do estado de São Paulo.]

71. O Senhor chamou um homem chamado João Claro. O pai dele era doente e havia crido no Senhor, nosso irmão Domingos Claro. Quando ele estava enfermo, seu filho veio visitá-lo. Ele viu com que carinho a irmandade cuidava de seu pai e creu no Senhor. Ele era moço solteiro com 23 anos e o Senhor o abençoou.

72. Ele foi ancião em São João da Boa Vista. Ele se casou com a irmã Gioconda, ficando em São João da Boa Vista. Mais tarde, com seus filhos todos grandes, não tinha trabalho para eles em São João da Boa Vista. Os seus filhos viviam com galo índio. Eles ganhavam a briga com os galos dos outros. Esse era o ofício que eles tinham.

73. Ele mudou-se para São Paulo e colocou seus filhos e suas filhas todos bem. Em São João da Boa Vista a Obra de Deus ficou devagar um tempo. Eu fui lá e em 1940 o Senhor reviveu aquela Obra.

74. A Obra de Deus começou a se estender para o estado do Rio de Janeiro.

75. Em 1942 o Senhor me mandou para o estado da Bahia. Fui à cidade de Itabuna, sul da Bahia, fazer um batismo. Depois fui para o sertão, para um lugar chamado Morro Branco, sertão fechado.

76. Quando eu era menino, eu viajava a cavalo. Depois não viajei mais. Na Bahia eu precisei viajar a cavalo, atravessar rio. Fui fazer o trabalho do Senhor.

77. A primeira vez durou 2 meses e meio. A segunda vez durou 33 dias.

78. Na primeira vez eu parei numa pensão na cidade de Montes Claros, porque o trem era três vezes por semana. Na pensão o Senhor nos deu de anunciar a Jesus Cristo. O Senhor chamou a dona da pensão e uma filha dela. Elas não obedeceram logo, demorou meses para obedecer. Hoje tem uma grande congregação em Montes Claros.

79. O Senhor preparou sucessivas viagens para o nordeste do Brasil. Fui fazer um batismo num lugar do estado de Alagoas chamado Boipenaspinhas. Fiz o primeiro batismo em Alagoas e obedeceram três almas. Depois fui para o Recife, estado de Pernambuco, e depois para o Sergipe.

80. Em São Paulo a obra prosperou. O Senhor abençoou a sua Obra.

81. Bem aventurado aqueles que têm parte nesta Obra de Nosso Senhor Jesus Cristo, porque não tem nenhuma Obra igual a esta. A Obra prosperou tanto e ainda está esperando o Salvador Jesus Cristo buscar para levar na sua Gloria.

82. Sou agradecido a Deus, pois em todo esse tempo o Senhor me deu também o ministério de ancião. O primeiro batismo que eu fiz, foi numa missão para Poços de Caldas, em 01/01/1941. Deus chamou 8 almas.

83. Depois fiz batismo em São João da Boa Vista e num lugar chamado Sapecado. Pela graça de Deus a Obra de Deus se estendeu, cresceu e multiplicou-se muitas vezes.

84. A Obra de Deus no Paraná ficou estacionada. O primeiro batismo feito no Brasil, foi no Paraná, em Santo Antonio da Platina.

85. Tinha um irmão português chamado Alfredo de Souza que era tuberculoso. Ele recebeu testemunho, creu no Senhor e o Senhor o curou, o deixou novo.

86. Então ouvir falar que em Santo Antonio da Platina não tinha quem atendesse a Obra. Ele se sentiu de ir para lá. Mandou orar e o Senhor o enviou para Santo Antônio da Platina.

87. O irmão Alfredo de Souza testemunhou a maior parte do Paraná. O Senhor foi com ele. Depois o Senhor preparou mais dois anciões. Pela graça de Deus, o Paraná ficou todo testemunhado desta graça.

88. O irmão Francescon deu testemunho também na Argentina, mas a Obra de Deus na Argentina foi sempre combatida. Ela é mais velha um mês que no Brasil, mas ela é fraquinha, porque os espanhóis são duros de cabeça para entender a vontade de Deus.

89. Pela graça de Deus o Senhor tem almas tementes a Deus. Esteve no Paraguai e Uruguai. Na Argentina a Obra esteve dividida muito tempo. Depois que Deus tirou aquele que colocou a divisão e o mandou para o cemitério, a Obra ficou livre de patrão. E a Obra vai indo bem.

90. O Senhor começou chamar povo nas nações vizinhas em toda América Latina.

91. Em todo esse tempo a Obra cresceu muito e está crescendo.

92. Na Itália a Obra enfraqueceu por causa da guerra pessoal pelo dinheiro.

93. A Obra está bem em Portugal, por que começou desde o princípio com o mesmo ritmo do Brasil.

94. Na África vai indo bem. Na Espanha vai indo bem agora. Na França e na Bélgica vai indo regularmente bem. E nós vamos muito bem aqui no Brasil, graças a Deus.

95. Dou graças a Deus por ter visto esta Obra menina. Agora desbotou meus cabelos, não sei porque. Estou agradecido a Deus que ainda estou com o povo de Deus.

96. Muitos não vêem a hora que eu vou para o cemitério, mas eu não devo nada a eles e eu vou fazendo o enterro de todo mundo. Eu vou ficando aqui, glória a Deus.

97. Agradeço a Deus que foi comigo e com os meus pais. O Senhor levou meus pais. A minha primeira esposa o Senhor levou e me deu a segunda, pela graça de Deus. Não me falta nada mais, falta receber a coroa da vida eterna. Mas é cedo ainda, não é? Ainda tem tempo para receber.

98. Eu agradeço a Deus pela paciência e pela saúde que me deu. Tenho trabalhado muito e tenho procurado servir a Deus da melhor maneira possível. Sou agradecido a Deus por tudo, Deus seja louvado. Amém.

99. Dia 25 de março completo 81 anos e não vou pedir presente. Não tenho medo de ficar mais velho, contanto que Deus me dê saúde não faz mal. Glorifico a Deus, me alegro com Deus, pela graça de Deus tudo vai bem. Deus em mim e eu nele em Jesus Cristo. O dia que o Senhor aparecer, Deus seja louvado.

100. Um dia testemunhei na congregação do Bom Retiro sobre uma viagem e contei as maravilhas. Uma irmã me disse: "Irmão Rizzieri, vai visitar o meu esposo. Ele está paralítico há 6 anos, sentado, amarrado numa poltrona. Vai visitá-lo e conta estas maravilhas para consolo dele."

101. Ela me deu o endereço e eu disse: "Quando o Senhor me mandar, eu vou."

102. Um dia houve um feriado e eu trabalhei até o meio dia. Quando ia para casa, o Senhor me disse: "Hoje você vai visitar o irmão Paixão." Ele se chamava-se Aurélio Paixão.

103. Eu fui visitá-lo na parte da tarde. Contei para as viagens que fiz e as maravilhas que Deus fez. Depois li um Salmo e o Senhor me deu de explicar aquele Salmo para ele. Depois de ler aquele Salmo e explicado para ele, eu li outro Salmo. O outro Salmo eu não expliquei para ele.

104. Eu disse: "Irmão Paixão, eu já vou indo, porque se aproxima a hora do culto. Estou muito contente por ver o irmão." Ele me disse: "Eu estou contente de ver o irmão na minha casa."

105. Eu orei ao Senhor por ele e o entreguei na mão de Deus, para que Deus tivesse compaixão dele. Dei o ósculo e a mão para ele, e fui para a porta da rua. Eu peguei na maçaneta, abri a porta e olhei para trás. Ele olhou para mim e sorriu. Eu olhei para ele e sorri. Encostei a porta, cheguei perto dele e disse: "Irmão Paixão, vou repetir o que fizeram os apóstolos: eu não tenho ouro nem prata para te dar, mas o que eu tenho eu te dou, em Nome de Jesus Cristo Nazareno levanta e anda."

106. Dei a mão para ele e o irmão andou. O Senhor o libertou da paralisia, pela graça de Deus. Ainda foi cooperador por muitos anos na Obra de Deus.

Fonte:
(Luiz Carlos Monteiro)

5 comentários:

  1. Bendito Seja o DEUS Vivente !

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  2. Louvado seja o nosso DEUS o DEUS do impossível muito me alegrei com esse testemunho

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